quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

[Cahiers II de Albert Camus] janeiro/fevereiro - pág. 11

Desapegar-se de tudo. Apesar do deserto, da peste

ou da pequena estação de Tólstoi.


Foto da identidade de Alberto Camus - fonte: http://www.regietheatrale.com/index/


pág. 11


Janeiro ‒ Fevereiro

“Tudo que não me mata me torna mais forte.” Sim, mas… É que é difícil sonhar com a felicidade. O peso esmagante de tudo isso. O melhor é se calar para sempre e de se desdobrar com o resto.

Dilema, diz Gide: Ser moral, ser sincero. E ainda: “Não existem coisas mais bonitas do que a loucura dita e a razão escrita.”

Desapegar-se de tudo. Apesar do deserto, da peste ou da pequena estação de Tólstoi.

Goethe: “eu me sentia deus suficiente ao ponto de descender das filhas dos homens.”

Não existem grandes crimes de que não seria capaz um homem inteligente [12]. Segundo Gide, as grandes inteligências não cedem a esses crimes porque elas se limitam…”

Retz permanecia muito calmo durante a primeira  revolta em Paris porque era a hora de jantar: “Os mais acalorados não queriam, como eles mesmos dizem, se desorar; perder a hora.”

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Últimos Versos - Alfred de Musset

Últimos versos


A hora da minha morte, depois de dezoito meses, 
De todos os lados soa em minhas orelhas,
Depois de dezoito meses de aborrecimentos e de vésperas,
Por todo canto eu a sinto, por todo canto eu a vejo.

Quanto mais eu me debato contra a minha miséria,
Mais desperta em mim a pulsão da infelicidade,
E, assim que tento andar sobre meus próprios pés,
Sinto um súbito golpe parando meu coração.

Minha força para lutar esvai-se e excede-se.
Até que eu repouse, tudo é um combate;
E como um corcel esgotado de fadiga,
Minha coragem desanima-se, enfraquece e abate-se.

[Alfred de Musset]
em: Poesias Póstumas (1888)

no original


Derniers vers


L'heure de ma mort, depuis dix-huit mois, 
De tous les côtés sonne à mes oreilles, 
Depuis dix-huit mois d'ennuis et de veilles, 
Partout je la sens, partout je la vois.

Plus je me débats contre ma misère, 
Plus s'éveille en moi l'instinct du malheur ; 
Et, dès que je veux faire un pas sur terre, 
Je sens tout à coup s'arrêter mon coeur.

Ma force à lutter s'use et se prodigue. 
Jusqu'à mon repos, tout est un combat ; 
Et, comme un coursier brisé de fatigue, 
Mon courage éteint chancelle et s'abat.