quinta-feira, 7 de março de 2019

[CAHIERS II de Albert Camus] janeiro/fevereiro - pág. 12


Refaz-se o mundo sem que se levante

a bunda de sua poltrona.

[dando continuidade à tradução, que se iniciou na semana passada com a página 11]
Fonte da imagem: https://www.franceculture.fr/emissions/albert-camus-la-pensee-de-midi/

pág. 12

Tólstoi;
Melville;
Referências estrangeiras:    Daniel de Foe;
Cervantes.

Retz: “O senhor Duque de Orléans tinha, à exceção da coragem, tudo que fosse necessário a um homem honesto.”

Os cavalheiros da Fronde encontraram um batalhão, tendo à espada um crucifixo que gritava: “Aqui está o inimigo!”

Existem muitas razões para a oficial hostilidade contra a Inglaterra (boas ou más, políticas ou não). No entanto, mal se fala de um dos piores [13] motivos: a raiva e o baixo desejo de ver sucumbir aquele que lhe ousa resistir à força que foi esmagado de nós contra nós mesmos.
O francês guardou o hábito e as tradições da revolução¹. Não lhe falta nada mais que o estômago: tornou-se funcionário público, pequeno burguês e serviçal. O golpe de gênio foi tornar isso em revolucionário legalizado. Ele conspira com a autorização oficial. Refaz-se o mundo sem que se levante a bunda de sua poltrona.



O manuscrito constava como o grande pensamento. Um segundo texto corrigido  ‒ mas não da mão de Camus ‒ consta revolução. Deduzimos que essa mudança foi feita por ele sob a forma de ditado.]

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