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| Da esquerda para a direita: Sílvio Holanda, Tetê Macambira, Aristides Ribeiro (em pé), Patrícia Cacau, Monteiro e Arusha Oliveira. |
Nosso primeiro encontro foi acalorado! Questões múltiplas foram levantadas ao redor da mesa entre o aroma do café quentinho e a troca de informações.
Por que a ação narrativa se passa em Turquia e Grécia?
Por que esses turcos e gregos têm nomes tão brasileiros?
Esse pai da Creusa é ciumento demais da própria filha. Por que ele não queria casar a filha?
Edmundo é artista, inventor ou alquimista?
Não é estranho uma produção sertaneja dessa não fazer nenhuma menção à religião?
Essas foram algumas das questões levantadas; respostas nem sempre conseguimos, mas debate!!!
Ohohohoh teeeeeeve, sim!
Sobre o folhetim Romance do Pavão Misterioso
No domínio público, consta como autor João Melquíades Ferreira, mas há controvérsias!, pois outras tipografias grafam o nome de José Carmelo de Melo Resende - sendo que pesquisadores defendem este último ser o verdadeiro autor.Guerras autorais à parte, este cordel surpreende por tratar tangencialmente (publicado em 1923) da industrialização e do uso do termo "capitalista". Embora se trate de um romance, um caso de amor, a aventura em terras exóticas (Grécia e Turquia) é atrativa e repleta de significados.
Estrutura
142 sextilhas, redondilhas maiores (heptassílabos), esquema rímico xaxaxa.Personagens
João Batista e Evangelista - irmãos herdeiros de uma fábrica de tecidos na Turquia.Creusa - beldade na Grécia.
Edmundo - artista e inventor na Grécia.
Enredo
O pai morre e os filhos João Batista e Evangelista assumem os negócios até que o primeiro resolve viajar e Evangelista pede que o irmão lhe traga algo bonito. João Batista atende ao pedido e traz uma foto da moça mais bonita que vira na Grécia. Evangelista apaixona-se pelo retrato e parte em busca da moça com intenção de se casar. E assim começa a aventura.![]() |
| Trocamos dúvidas, e para nossa sorte a estudiosa em literatura popular Arusha Oliveira soube dirimir apaixonadamente nossas questões. Foi le-gen-dá-rio! |
Notas literárias discutidas
1 - Monteiro acredita que algum caixeiro-viajante (ou afins) possivelmente tenha contado oralmente essa história e o autor a tenha transposto para o cordel, o que justificaria tanto os lugares exóticos da narrativa, quanto os nomes brasileiros às personagens turcas e gregas;2 - Arusha defende o medievo caracterizando a história, em que se percebe a forte marca da oralidade, além da donzela precisando ser resgatada da guarda draconiana na figura do pai;
3 - Observância do "mágico" nos presentes dados por Edmundo: a serra azougada (que corta tudo, melhor que faca stone flavor) e o lenço enigmático (clorofórmio que não se acaba nunca, pelo visto!), ratificando que Edmundo faz o papel de sábio, em um misto de inventor e alquimista;
4 - a jornada do herói também é francamente perceptível nessa história: o herói sai de sua "zona de conforto" (de Turquia para Grécia) em busca de algo que lhe seja valioso (Creusa), busca um mentor (Edmundo) que o ajuda e lhe fornece ferramenta(s) (serra e lenço) que ajudarão o herói. O herói tem que disputar com um inimigo (pai de Creusa), corre risco de morte ou morre e volta ao ponto de partida não sendo mais o mesmo (Evangelista casa-se com Creusa).
5 - Monteiro levantou a questão da espantosa ausência de religiosidade; tema ordinário a um povo afeito às questões de Deus - tornando a obra mundana, ao que Arusha completou lembrando que era o sultão quem dá as bênçãos ao casal, afirmando que isso comprovaria o caráter medieval da obra;
6 - Cacau finalizou que essa história é um convite a se transcender o comum, que devemos ir e ser além do que o esperado.
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| Esse grupo está muito lindo! Mal espero pelo próximo domingo! S2 |
2º encontro
Próximo domingo, 31/3 às 9h30: Peleja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho![]() |
Zenóbia chegou tarde ao encontro, que se iniciou pontualmente às 9h30, mas gostou da ideia e já levou o cordel para o próximo domingo |
Zenóbia, cujo nome vem do grego significando "vida dada por Deus", aceitou graciosamente o desafio de voltar aos tempos de ledora e nos brindar com uma leitura de algumas estrofes no próximo domingo, 31 de março, a partir das 9h30.
Essa partilha não se pode perder! Vamos prestigiar?
Clube de Leitura Dona Chita Café
rua Desembargador Praxedes, 1995 - Vila União
Domingos, das 9h30 às 11h
Contato: WhatsApp 91 9 83322267 (Tetê Macambira)






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