sábado, 11 de maio de 2019

À Morfina



À morfina
Pega, se necessário for, doutor, as asas de Mercúrio
Para me trazer logo teu bálsamo precioso!
O momento da picada chegou
que, deste leito de enfermo, me levará aos céus.
Obrigado, doutor, obrigado! pouco importa a cura
Agora se prolongue por dias aborrecidos!
O divino bálsamo está aqui, tão divino que Epicuro
Deveria tê-lo inventado para o uso dos Deuses!
Já a sinto circular, penetrando-me!
No espírito e no corpo inefável bem-estar,
é a absoluta calma na serenidade.
Ah! Fure-me cem vezes tua fina agulha
E eu a abençoarei cem vezes, Santa Morfina,
Da qual Esculápio deveria ter feito uma deusa.
[Júlio Verne]
[tradução minha]


À morphine
Prends, s'il le faut, docteur, les ailes de Mercure
Pour m'apporter plus tôt ton baume précieux !
Le moment est venu de faire la piqûre
Qui, de ce lit d'enfer, m'enlève vers les cieux.
Merci, docteur, merci ! qu'importe que la cureDa
Maintenant se prolonge en des jours ennuyeux !
Le divin baume est là, si divin qu'Epicure
Aurait dû l'inventer pour l'usage des Dieux !
Je le sens qui circule, qui me pénètre !
De l'esprit et du corps ineffable bien-être,
c'est le calme absolu dans la sérénité.
Ah ! perce-moi cent fois de ton aiguille fine
Et je te bénirai cent fois, Sainte Morphine,
Dont Esculape eût fait une Divinité.

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